Parque Guararapes

O afundamento do pilar na Av. Pedro I em Belo Horizonte marca o esgotamento da aventura rodoviarista. Vieram abaixo 1,8 mil toneladas de concreto e aço causando a morte de 2 pessoas. Agora reverbera na justiça e nas páginas dos tabloides a disputa pelo erro que causou o afundamento do pilar. Interessa perceber que o erro maior é apostar na construção de mais espaço para automóveis em detrimento dos pedestres, dos ciclistas e da melhoria do transporte público. Como escreveu o Prof Fernando Lara na Revista Forum, fica aqui a proposta para a prefeitura de Belo Horizonte: transformar a área remanescente do viaduto que caiu e a alça ainda de pé (devidamente escorada se assim entender a perícia técnica) em um parque, com árvores, bancos, ciclovia, pista de caminhada e muito verde. Não há forma melhor de reverenciar os que ali faleceram e de compensar os moradores vizinhos pelos transtornos causados pela obra e pela queda. Aproveito para apresentar uma imagem bem rudimentar como ilustração para que possamos começar a imaginar uma cidade com mais espaço para as pessoas e menos espaço para os automóveis. Elaborado pelos arquitetos Marcelo Palhares Santiago e Carolina Éboli, participantes do Laboratório de Urbanismo Avançado, o mapa aqui apresentado sugere uma ocupação alternativa para este espaço trágico mas que poderia também sem utilizada em dezenas de outras obras rodoviaristas pela cidade a fora. Oxalá as tragédias da Pampulha sirvam para fechar o ciclo de priorizar o automóvel e abrir outro com ênfase no transporte e nos espaços públicos..